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sábado, 17 de julho de 2021

Duas faces de uma mesma disputa: Tour da Baronesa e o cercamento das ruas do Bairro Terras do Barão

 

 Sobre esses dois acontecimentos que marcaram a semana do aniversário de Campinas, gostaria de compartilhar algumas considerações.

 
 
O Tour da baronesa causou inquietações e críticas em alguns espaços das redes virtuais.
O Tour convida a população a pagar ingressos para assistir a apresentação de um roteiro histórico sob a condução de uma guia que interpreta uma personalidade histórica da aristocracia cafeeira, uma baronesa.
Portanto, tudo na divulgação leva a entender que a história da cidade será apresentada por um corpo, uma voz e modo de ser de uma classe social vinculada à aristocracia cafeeira.
Uma classe que teve seus privilégios extraídos da exploração do trabalho de milhares de negros escravizados e imigrantes europeus pobres.
À tal figura, que simboliza o poder econômico e cultural de uma classe, é dado o lugar de narradora da história da cidade na semana de celebração de seu aniversário.
Nada novo nesse roteiro, os detentores do poder econômico em Campinas há muitos séculos têm feito com grande eficiência suas celebrações. No traçado urbano, barões e baronesas, têm demarcado os espaços públicos da cidade com os nomes dos seus, garantindo a hegemonia cultural nas placas de ruas centrais, nos rostos expostos nos museus e nas maioria das publicações que celebram a história das cidades paulistas
O tour, portanto, é mais um evento cultural que tem caráter ideológico colonizado e colonizador, ao produzir e reproduzir um explícito discurso político que celebra uma classe social opressora e, mais uma vez, naturaliza mecanismos de poder que definem quem tem lugar e livre circulação nos espaços públicos e privados.
É mais uma manifestação das estruturas de poder que legitimam e perpetuam uma forma de organizar a vida cotidiana na cidade sob a lógica da segregação. Segregação dos corpos negros, pobres e periféricos, ou seja, todes que não se enquadram no padrão estético, politico, étnico, patriarcal e econômico, instituído pelas formas capitalistas de produção e periodicamente reafirmado pela celebração da propalada “modernidade do baronato campineiro”.
Vale ressaltar que não é a trabalhadora, que realiza a tarefa de guiar o tour, a responsável pelo viés ideológico do evento. Esse tipo de ação de turismo cultural tem origem nas relações mercantis que organizam a base material da atividade cultural, não só em Campinas.
É nesse ponto que devemos colocar nossas observações: as formas de organizar as relações sociais de produção, de financiamento, de participação e de controle social dos mecanismos de criação e circulação de arte/conhecimento/valores=vida.
Que relações existem entre este tour e o cercamento do Bairro Terras do Barão?
Muitas são as necessárias observações sobre as conexões entre esses dois eventos. Destaco algumas. 
 

 
 
 
Em primeiro lugar, nada mais naturalizado como lógico e mesmo necessário, na cidade cuja história é celebrada e apresentada por uma baronesa branca, que no Bairro Terras do Barão seja instalada uma cerca e uma organização espacial segregadora dos corpos desviantes de um determinado padrão instituído como produtivo e confiável.
Segundo, é que trata-se de um bairro em que o padrão econômico é alto, onde vivem famílias em condições economicamente totalmente acima da média regional, mas está longe de ser local de moradia dos grandes senhores do capital. Portanto, se ilude quem lá mora e julga estar na mesma posição social que o barão que deu nome ao bairro ou a baronesa que inspira o tour. Importantíssimo destacar que não há consenso na comunidade local, entre os moradores e usuários do bairro, pela opção do cercamento e os consequentes constrangimentos e segregações a uma parcela da comunidade e visitantes. 
O que se pode observar é que a difusão e celebração das lógicas culturais do baronato impelem à fragmentação e impedem a construção de perspectivas culturais afetivas e agregadoras. Assim, também, se contrapõe  à organização de formas solidárias de sustentação material/econômica das atividades culturais, ou seja, as não pautadas unicamente pelas regras do lucro mercantil.
Terceiro, o tour e a cerca são práticas de uma mesma cadeia de relações sociais antidemocráticas, classistas, racistas e patriarcais. São resultantes de formas de organizar a vida, portanto a cultura, focadas no desmonte de espaços e serviços culturais de caráter público, sem finas lucrativos, sem exploração do trabalho e abertos à participação popular.
Explico.
Há na aŕea de museus da esfera pública municipal trabalhos de grande competência e acúmulo em pesquisas e práticas educativas na organização de tours, que apresentam a história da cidade em toda sua diversidade e complexidade. São trabalhos realizados por servidores públicos comprometidos com uma abordagem científica crítica da memória social. O que tem faltado é vontade política de valorizar e ampliar esses trabalhos. Melhor dizendo, o que tem sobrado é vontade política de destruí-los.
No tocante a cerca, um dos focos do cercamento é também um Centro Cultural, um local onde trabalhadores da cultura, servidores públicos e ativistas de coletivos artísticos, organizam atividades de reflexão e desconstrução das artes colonizadoras.
Ambos exemplos são práticas culturais não mercantis de produção e circulação de conhecimentos artísticos e científicos, portanto, que desnaturalizam processos referenciadores da mercantilização da vida tão caros aos que hoje ajudam a manter as relações sociais que continuam a extrair do trabalho de milhares a riqueza que sustenta e beneficia a classe que se perpetua no poder há séculos.
Em resumo, o tour e a cerca evidenciam as disputas pelas condições concretas materiais que definem quem tem direito e o acesso livre à cidade como um bem cultural coletivo.
Da terra à estética, das ruas às redes, dos territórios aos conhecimentos, o centro da disputa está na construção de poder social amplo, diverso e verdadeiramente participativo nos processos de decisão do que é e para quem é a cidade como bem cultural coletivo.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Você conheço o Semba?

 


 
 

 


 
Penso que desfile de Carnaval é um tipo de museu brincante produzido coletivamente por sujeitos que expressam criativamente memórias e sonhos sob a forma de músicas, danças, figurinos e múltiplas artes visuais. Um cortejo festivo, ato máximo de um largo processo de trabalho, somatória de corpos-territórios criadores e criaturas da arte, da história e do desejo de brilho. Como já disse o poeta russo e um nosso baiano tropicalizou: Gente é pra brilhar, não para morrer de fome. 
Por isso, nesses tempos pandêmicos, sem desfiles, faço um convite para uma visita ao site do artista visual e sambista campineiro Aluízio Jeremias http://aluizio.taina.org.br/sobre-aluizio/
As obras pictóricas de Jeremias, iluminam parte significativa dos corpos-memórias-territórios da cultura carnavalesca da primeira metade do século XX em Campinas, destacadamente de matriz africana. São criações especialmente produzidas para o Projeto Semba, organizado em 2012 pela Casa de Cultura Tainã, com curadoria de TC Silva.
O Projeto Semba foi uma ação de re-existência da cultura negra, pela recriação pictórica de personagens, espaços e práticas culturais de grupos sociais oprimidos pela lógica cultural capitalista que, nos anos 1950/1970,  por meio da reurbanização orquestrada pelo capital imobiliário causou a desestruturação de territórios e comunidades tradicionais afrolatinoamericanas.
Nesse processo, parte das memórias sonoras e visuais do samba e do carnaval popular foram desarticuladas e uma face musical embranquecida e europeizada foi privilegiada nas publicações oficiais da cidade.
O trabalho artístico de Jeremias tem como matriz suas memórias de menino encantado com a cultura do povo negro, que pulsava nos casebres e cortiços do baixo Cambuí, antes da gentrificação. Seus quados iluminam faces da classe trabalhadora que construiu as modernidades da cidade capital do café, mas não teve direito de usufruí-las. Jeremias nos ensina, com suas cenas de desfile-museu-brincante, parte da história dos negros da cidade.
O artista Jeremias, também um corpo-memória-território-vivo, em suas pinturas e em muitos de seus sambas deu carnatura aos territórios, às faces, à gestualidade e à sonoridade de uma parcela da população que não era reconhecida como sujeito da memória e como parte do mapa cultural da cidade, em especial nos campos das artes visuais e dos museus de arte.
Sem dúvida o Projeto Semba, iniciativa da Casa de Cultura Tainã, foi uma significativa ação contra-hegemônicas no campo das artes plásticas e da museologia social em Campinas, pois viabilizou a realização dessas imagens e as levou para exposição no Museu de Arte Contemporânea de Campinas na Casa de Cultura Tainã, na Casa de Cultura Fazenda Roseiras e no Museu de Imagem e e vídeos sobre o artista no Som de Campinas. As ações do Projeto estão documentadas em https://tainamemoria.taina.net.br/.../dom.../projeto-semba ,http://aluizio.taina.org.br/
Fica a dica, caia na folia das redes da resistência nesse Carnaval.
 
Obs: Texto escrito em fevereiro de 2021.

domingo, 23 de maio de 2021

Samuel de Freitas Pérsio

 

 


Samuel de Freitas Pérsio, 36 anos, filho de Maria Augusta de Freitas Pérsio e Marcílio Pérsio, nasceu em 11 de maio de 1982, em Araucária (Paraná).

Samuel é nome bíblico, carregado de projeções ancestrais. O sobrenome de Freitas, de origem materna, é lembrado por ele como legado de seu avô, João Batista de Freitas, “homem gentil, de origem negra, pedreiro e contador de histórias, sempre bem-humorado. Minha cabeça crespa e cabelo grosso vêm dele”. Pérsio é nome do ramo paterno, italianos trabalhadores do campo, “o lado mais sisudo da família […], mas meu pai, seu Marcílio, sempre foi o oposto disso, sempre muito generoso e gentil”.

Assinar seus trabalhos artísticos como Samuel de Freitas Pérsio, nome e sobrenome completos, foi uma decisão muito elaborada, uma afirmação consciente de quem lê as marcas, impressas em seu corpo e em sua memória, dos homens e mulheres de sua classe que, antes dele, enfrentaram os desafios de seu tempo.

Até os 5 anos, Samuel viveu em Araucária, no interior do Paraná, em uma vila de trabalhadores da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), onde seu pai foi trabalhar como ferroviário. Sua família, de origem camponesa, migrou para a cidade em busca de sobrevivência, assim como muitas outras vitimadas pelo êxodo rural intensificado pelas medidas econômicas do governo ditatorial dos anos 1970. Na cidade, o trabalho de seu pai dividia-se entre a ferrovia e a construção civil.

Na década de 1980, a imposição capitalista levou à mudança do modelo de transporte e ao declínio das ferrovias, substituídas pelas rodovias. A família de Freitas Pérsio foi morar em um núcleo habitacional.

O acirramento das políticas econômicas de mecanização do campo e concentração de indústrias na região Sudeste levou muitas famílias da classe trabalhadora rural e urbana a migrar das pequenas cidades do interior do Paraná e de São Paulo para centros urbanos como Campinas e região. Assim, em 1990, os de Freitas Pérsio chegaram em Valinhos (São Paulo), onde Marcílio passou a trabalhar como pedreiro.

Nesse contexto sociocultural, em uma região de adensamento da classe trabalhadora, Samuel, o quarto e único filho homem, cresceu, fez o ensino básico e aprendeu com o paí o ofício de pedreiro; profissão que exerce desde os quinze anos.

Na adolescência, iniciou-se também no aprendizado de técnicas e expressões artísticas, quando com 16 anos, em 1998, estudou desenho artístico com o professor Sebastião Moreira na Casa de Cultura de Valinhos. Foi então do desenho à palavra ou vice-versa, pois, “motivado pelos causos do meu avô materno, tomei gosto pela criação de personagens e histórias”. Porém o rígido cotidiano da vida de jovem operário da construção civil e as barreiras sociais impuseram obstáculos entre os ofícios de pedreiro e os da criação artística.

Ainda assim, desde esse primeiro contato formal com o fazer artístico, no final da década de 1990, Samuel nunca deixou de desenhar e escrever. Nos fins de semana, pela manhã antes de sair para o trabalho ou, por vezes, em meio ao canteiro de obras, vários cadernos e folhas soltas foram preenchidas com personagens, poemas e histórias.

De forma ininterrupta, desde a adolescência até a vida adulta, o exercício do imaginar e materializar formas e emoções sobre uma superfície plana vem ocupando os intervalos do tempo de Samuel vendido à construção civil.

Criar obras pictóricas em tela a partir de seus desenhos era um desejo latente, porém, até recentemente, não havia ousado obter a autopermissão; pois, como explicita em seu poema “Autodeclaração”: na sociedade que fragmenta e hierarquiza ofícios e saberes, criar e pintar em telas emolduradas é capacidade apartada de quem ganha a vida criando e pintando paredes.

Mas, nos últimos três anos, a produção de pinturas e esculturas foi se instalando entre suas lidas diárias, tomando espaço em sua casa transmutada em uma oficina de arte.

Compreender o caminho que o levou a criar obras pictóricas e escultóricas é importante, pois essa autodeclaração de artista, feita por um dos de Freitas Pérsio, foi forjada na lida coletiva das tramas de saberes presentes nas práticas culturais e políticas da classe trabalhadora em grandes centros urbanos, como é a cidade de Campinas.

O poema “Autodeclaração”, escrito em março de 2017 em meio a intensa criação pictórica, traz a síntese do percurso de constituição dessa autopermissão de existir como um ser inteiro ou, ao menos, de buscar sê-lo.

Nessa busca, todos elementos artísticos, dos temas aos suportes, molduras e tintas, foram extraídos de seus conhecimentos e experimentações na construção civil. As tintas têm as mesmas bases das usadas em paredes e pisos, os suportes são extraídos de madeiras, tecidos, lonas e sacos de ráfia que embalam areia, pedras, cal e cimento.

As pinturas e esculturas aqui expostas, criadas entre 2016 e 2018, são autodeclaratórias da permissão de ser artista, grafada em versos, moldada em ferros e pigmentada em panos, lonas e sacos de cimento.

Em sua casa ateliê oficina, além das obras, desenhou, planejou e construiu todos os painéis e demais mobiliários expositivos para esta exposição, para a qual também concebeu e executou a iluminação e a distribuição espacial de cada peça.

Não é somente a soma de saberes e competências para imaginar, planejar e realizar tais fases da atuação criativa que demarca o caminho trilhado até sua autodeclaração de artista. A isso tudo, Samuel de Freitas Pérsio juntou o que trocou com outros que, como ele, em 2013, saíram às ruas em busca de espelho: gente trabalhadora que se jogou num mar de corpos que ansiava por sair do espaço contido entre a casa e o trabalho, para se encontrar e se reconhecer em outros rostos.

Assim foi seu mergulho nas manifestações e movimentos sociais. Assim tem sido a intensificação de troca de saberes e técnicas diversas de criação e expressão artística para encontrar sua própria voz. Como ele mesmo afirma: “desenhar, pintar, criar formas, é a minha fala”.

Essa busca por encontrar sua própria voz tornou-se ainda mais intensa nos últimos anos, quando os caminhos que trilhou em militâncias coletivas em midialivrismo e direitos humanos o fizeram consciente da urgência em desenvolver saberes e habilidades para colocá-los a serviço das frentes de luta contra todo tipo de opressão.

O encontro com outros trabalhadores artistas propiciou a Samuel conhecer e desenvolver seus ofícios. Assim, aprimorou-se em técnicas de iluminação cênica com o músico e produtor Daniel Dias, na Rede Usina Geradora de Cultura/ Escola Municipal de Cultura e Arte, em 2016/2017; desenvolveu-se na confecção e manipulação de bonecões com o mestre bonequeiro Sebastian Marques, na Oficina de Sonhos da Estação Cultura, em 2016/2017; fez-se aprendiz e parceiro na confecção, manipulação e interpretação teatral com bonecos Banraku do criador e diretor Jesus Seda, na Rede Usina Geradora de Cultura/ Escola Municipal de Cultura e Arte, em 2018.

Sua voz própria forjou-se também ao intensificar a participação junto com outros trabalhadores artistas na organização de mostras de audiovisuais, na militância midialivrista, na concepção e montagem de cenários, no planejamento e execução de montagem de equipamentos para captação, registro e transmissão de som e imagem com movimentos sociais que constroem o Mostra Luta, a Sala dos Toninhos, a Oficina Geradora e as ações públicas do Conselho de Direitos Humanos de Campinas e o Coletivo Socializando Saberes.

Não por acaso, as produções pictóricas e escultóricas reunidas nesta mostra dão a ver a explosão de suas “falas” autodeclaratórias entre 2016 e 2018.

A mostra Autodeclaração é uma seleção de obras que apresentam rostos, mãos e silhuetas de corpos que dá a ver que, entremeios a ser pedreiro e ser artista, Samuel trilhou caminhos que desmontam as falas daqueles que segregam formas de vida sob substantivos estanques.

Nessa caminhada, aos poucos foi ganhando forças para afirmar com voz própria que os ofícios de pedreiro e de artista, que a história de sua gente abarca, não são nem um, nem dois, mas Duos.

Duos, como dizem os dicionários, são sujeitos de iguais potências; portanto, ante a vida cindida pelo capital, afirmar-se Duo é subverter as disjuntivas dos recortes sociais demarcadores de papéis e destituidores dos conhecimentos ancestrais que encarnam toda criação humana.

Esse gesto não dá conta da totalidade das ancestralidades presente em cada gesto da produção da vida, mas oferece um caminho para vencer a lógica fragmentária da mercantilização da experiência humana.

Foi nesse caminho que, no corpo que carrega origens negras e rubras dos de Freitas Pérsio, Samuel percebeu a necessidade de declarar-se Duo, na carn

Foi nesse caminho que, no corpo que carrega origens negras e rubras dos de Freitas Pérsio, Samuel percebeu a necessidade de declarar-se Duo, na carne e na arte.

Sônia Aparecida Fardin

texto escrito para a Exposição Autodeclaração – setembro de 2018

 https://www.facebook.com/samuel.persio

https://cartacampinas.com.br/2018/09/x-autodeclaracao-reune-obras-do-artista-samuel-de-freitas-persio-na-estacao-cultura/ 


 

 

 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

MORREU A SECRETARIA, VIVA A CULTURA!

Assisti no último domingo (03/05) o encontro virtual que debateu a Lei Emergencial para a Cultura, no âmbito federal, que visa criar condições de sobrevivência para trabalhadores culturais e dar sustentação aos espaços culturais durante a pandemia. Entre os relatos, alguns secretários estaduais e municipais elencaram medidas que já estão em realização para dar conta de conter a dramática situação econômica do segmento cultural.

Ou seja, quando há vontade política é possível sim para órgãos municipais e estaduais cumprirem seu papel social de salvaguardar postos de trabalho e apoiar a continuidade de processos culturais não abarcados pelo mercado.

Porém, Campinas segue na contramão dessas políticas. Cidade que é uma das maiores do Brasil, com uma história cultural reconhecida e celebrada em todos os setores da diversidade cultural, e que também tem um movimento social de cultura organizado e atuante em coletivos, agrupamentos, associações e um Fórum Municipal de Cultura, que tem procurado abarcar e representar essa diversidade.

Contudo, a cultura do abandono não é de agora, desde o início do governo Jonas que a cultura aqui está a míngua. A especialidade da Secretaria de Cultural aqui vem sendo promover factóides, dissimulações e engavetar a lei do Conselho Municipal.

Desde que os ataques mais violentos começaram, pós Golpe de 2016, vários coletivos vêm realizando tentativas de incidir sobre os gestores públicos de cultura da gestão Jonas Donizette, com atuações que oscilam entre momentos de conciliação e outros de endurecimento nas críticas. Porém, sem declarar, até então, a total inoperância da Secretaria de Cultura em todas as suas atribuições e competências em prol da Cultura Viva.

A Secretaria de Cultura, enquanto gestora das ações culturais, está decrépita faz muito tempo. Mesmo assim, estava sendo mantida viva como uma interlocutora por parte do segmento cultural. Essa sobrevida, somada a outros ardis, foi usada pela gestão Jonas Donizette como fôlego para seguir com seu projeto de desmonte e ataques aos serviços públicos e dos trabalhadores da cultura.

Contudo, diante da gravidade da atual situação e da absoluta inoperância dos órgãos municipais — não só os de cultura — parece que o tempo de acreditar em parcerias e editais acabou, assim como a ilusão da conciliação com esse governo destruidor dos serviços públicos.

Que assim seja, pois declarar falida, melhor dizendo, falecida a Secretaria sob a gestão de Jonas Donizete é necessário para fazer Viva a Cultura e lutarmos por um projeto de governo que não seja comprometido com a morte da Cultura.

Viva à Cultura.